ÓLEO DE KRILL: O QUE É, COMO FUNCIONA E POR QUE DESPERTA TANTO INTERESSE?
Você já ouviu falar do óleo de krill? Embora menos popular que o tradicional óleo de peixe, esse suplemento vem chamando a atenção de quem busca melhorar a saúde de forma natural. Seu diferencial está em três pontos principais: a presença de fosfolipídios, que tornam o ômega-3 mais bem absorvido; a astaxantina, um poderoso antioxidante natural; e a colina, um nutriente essencial para o cérebro e o metabolismo.
Mas afinal, o que é o krill? Como esse óleo é produzido? E será que realmente vale a pena escolher o óleo de krill no lugar do óleo de peixe? Vamos responder a essas perguntas ao longo do artigo.
O QUE É O KRILL
O krill é um pequeno crustáceo marinho chamado Euphausia superba, semelhante ao camarão, encontrado principalmente nas águas geladas da Antártica. Apesar do tamanho, o krill tem um papel fundamental no ecossistema: é a base da cadeia alimentar de animais como baleias, pinguins e focas.
O óleo é extraído a partir desses crustáceos por meio de processos que preservam seus nutrientes mais importantes. Em seguida, passa por etapas de purificação, que garantem um suplemento livre de contaminantes, como metais pesados, que podem estar presentes em outros óleos de origem marinha.
COMPOSIÇÃO NUTRICIONAL: POR QUE O ÓLEO DE KRILL SE DESTACA?
O diferencial do óleo de krill está na combinação entre seus componentes e a forma como eles são apresentados ao organismo. Veja os principais nutrientes e suas funções:
Colina e sua importância para o organismo
Um dos diferenciais do óleo de krill é que parte dos seus ácidos graxos está ligada a fosfolipídios, especialmente à fosfatidilcolina. Essa molécula é uma das principais fontes de colina, nutriente essencial para o funcionamento do cérebro, a formação do neurotransmissor acetilcolina (ligado à memória e ao aprendizado) e o metabolismo das gorduras. (1)
Astaxantina e seu papel antioxidante
Outro destaque é a astaxantina, pigmento natural responsável pela coloração avermelhada do óleo de krill. Esse antioxidante é capaz de proteger as células contra o estresse oxidativo, processo associado ao envelhecimento precoce e ao risco de doenças crônicas. Além disso, a astaxantina confere estabilidade natural ao óleo, ajudando a preservar sua qualidade sem a necessidade de antioxidantes artificiais. (6)
DIFERENÇA ENTRE ÓLEO DE KRILL E ÓLEO DE PEIXE
Estrutura química e absorção no corpo
O óleo de peixe contém ômega-3 ligado a triglicerídeos, enquanto no óleo de krill o ômega-3 está ligado a fosfolipídios. Estudos mostram que essa diferença melhora a absorção e a biodisponibilidade do óleo de krill, permitindo que o corpo utilize mais facilmente esses ácidos graxos essenciais.
Podemos imaginar os fosfolipídios como pequenas ‘cápsulas naturais’ que transportam o ômega-3 diretamente para dentro das células. Essa forma de ligação facilita a utilização pelo organismo, diferentemente do óleo de peixe, em que o ômega-3 está ligado a triglicerídeos e exige mais etapas de digestão.
Um estudo comparativo observou que o EPA e DHA no óleo de krill tiveram área sob a curva (iAUC) significativamente maior nos 72 h após a ingestão em comparação com óleo de peixe, indicador de maior biodisponibilidade. (2) Outro ensaio clínico demonstrou que um óleo de krill com alto teor de fosfolipídios aumentou níveis de EPA e outros ômega‑3 nos glóbulos vermelhos de forma mais eficaz que formulações com menor teor. Esses achados sugerem que os fosfolipídios facilitam uma absorção mais eficiente dos ácidos graxos.
Estabilidade natural (presença de antioxidantes)
Enquanto o óleo de peixe pode oxidar com mais facilidade, o óleo de krill contém astaxantina natural, que atua como protetor contra a degradação, mantendo o suplemento fresco por mais tempo.
Sabor, odor e digestibilidade
Quem já tomou óleo de peixe provavelmente conhece o famoso “gosto de peixe” que pode acontecer após a ingestão. O óleo de krill, por ser naturalmente mais estável e melhor absorvido, costuma ser mais suave para o estômago e apresenta menos odor e sabor residual.
Sustentabilidade e impacto ambiental da pesca
Outro ponto relevante é a sustentabilidade. A pesca do krill antártico é altamente regulada por organizações internacionais, com limites de captura muito inferiores à população disponível. Já a pesca de algumas espécies de peixe para extração de óleo pode ter impacto maior nos ecossistemas marinhos.

BENEFÍCIOS GERAIS DO ÓLEO DE KRILL
Embora ainda sejam necessários mais estudos de longo prazo, pesquisas indicam que o óleo de krill pode estar relacionado a diferentes aspectos da saúde:
- Apoio ao equilíbrio cardiovascular: pode ajudar na manutenção de níveis saudáveis de triglicerídeos e colesterol. (3)
- Contribuição para o funcionamento do cérebro: por fornecer DHA e colina, nutrientes ligados à saúde neurológica e cognitiva. (4)
- Apoio ao bem-estar das articulações: estudos sugerem que o consumo pode contribuir para reduzir desconfortos e rigidez. (5)
- Proteção antioxidante para as células: graças à astaxantina, auxilia no combate ao estresse oxidativo. (6)
Lembrando sempre que suplementos não substituem uma alimentação equilibrada e devem ser utilizados com orientação profissional.
CONCLUSÃO
O óleo de krill é um suplemento que combina tradição e inovação. De um lado, fornece os ácidos graxos ômega-3, essenciais para o corpo. De outro, traz diferenciais importantes: os fosfolipídios, que melhoram a absorção, a astaxantina, que atua como antioxidante, e a colina, que apoia o cérebro e o metabolismo.
Mesmo contendo menos EPA e DHA que o óleo de peixe, estudos sugerem que o krill é mais bem absorvido, o que compensa essa diferença. Além disso, apresenta vantagens como maior estabilidade, melhor digestibilidade e menor impacto ambiental.
Ainda assim, cada pessoa deve avaliar junto a um profissional de saúde qual suplemento se encaixa melhor em sua rotina.
REFERÊNCIAS
1- WINTER, B.; HOEM, N.; BERGE, K.; REUBSAET, L. Elucidação da composição de fosfatidilcolina no óleo de krill extraído de Euphausia superba. Lipids, [S. l.], 2010. Disponível em: https://doi.org/10.1007/s11745-010-3472-6.
2- KÖHLER, A.; SARKKINEN, E.; TAPOLA, N.; NISKANEN, T.; BRUHEIM, I. Bioavailability of fatty acids from krill oil, krill meal and fish oil in healthy subjects – a randomized, single-dose, cross‑over trial. Lipids in Health and Disease, [S. l.], v. 14, artigo n. 19, 15 mar. 2015. Disponível em: https://lipidworld.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12944-015-0015-4
3- BUNEA, R.; EL FARRAH, K.; DEUTSCH, L. Evaluation of the effects of Neptune Krill Oil on the Clinical Course of Hyperlipidemia. Alternative Medicine Review: A Journal of Clinical Therapeutic, v. 9, n. 4, p. 420–428, 2004. Disponível em: https://altmedrev.com/wp-content/uploads/2019/02/v9-4-420.pdf
4- STONEHOUSE, Welma; CONLON, Cathryn A.; PODD, João; HILL, Stephen R.; MINIHANE, Anne M.; HASKELL, Cristal; KENNEDY, David. DHA supplementation improved both memory and reaction time in healthy young adults: a randomized controlled trial. American Journal of Clinical Nutrition, v. 97, n. 5, p. 1134-1143, 2013. DOI: 10.3945/ajcn.112.053371.
5- DEUTSCH, L. Evaluation of the effect of Neptune Krill Oil on chronic inflammation and arthritic symptoms. Journal of the American College of Nutrition, v. 26, n. 1, p. 39–48, 2007. DOI: https://doi.org/10.1080/07315724.2007.10719584
6-BJØRKLUND, Geir et al. The role of astaxanthin as a nutraceutical in health and age-related conditions. International Journal of Molecular Sciences, [S.l.], v. 23, n. 21, p. 13475, 2022. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC9655540/.